domingo, julho 02, 2006

Professores: uma luta sindical “desfocada”

A Ministra da Educação está a corrigir desequilíbrios.
Dizem os sindicatos que está a “tocar” em direitos adquiridos. Não está.
Estão apenas a ser repostos deveres, há muito incumpridos.
Os sindicatos, acossados nos seus hábitos reagem desencadeando atitudes de “vitimização” emocional numa classe pouco habituada a exigências. E dá razões para que a Ministra classifique publicamente, a ideia de que a classe docente é, toda ela, pouco cumpridora. E não é assim.
Os sindicatos estão a lutar por causas erradas.

Os sindicalistas defendem, acima de tudo, os seus próprios interesses: recebem o ordenado das suas escolas (pago por todos os contribuintes) sem lá porem os pés e somam a essa remuneração, outras, na organização (e monitorização) das acções de formação promovidas pelos sindicatos. Esta situação resulta das concertações sociais feitas ano após ano com as tutelas. Os sindicalistas cediam aqui ou ali, contribuindo para o sucesso das negociações, ganhando em troca, esses benefícios (para si e não para quem representavam): emprego sem trabalho e verbas sem fim para formação (que acabavam, também, nos seus bolsos). Tudo isto em paralelo com uma repetitiva atitude de total oposição a todas as tentativas de alteração (e melhoria) do sistema.

Mas, não podendo fazer essa defesa em termos públicos, vão lutando pela manutenção do “status quo” (pensando em si). Esquecem (intencionalmente?) que a situação vigente apenas protege aqueles que faltam, que não produzem, que não trabalham e que são saltimbancos de escola em escola… Pois os bons professores em (quase) nada sairão prejudicados pelas medidas que estão, paulatinamente, a ser tomadas. Porque já fazem tudo o que agora passa a ser exigido: trabalho e qualidade. A diferença é a devida: apenas estes últimos serão promovidos. E os outros, ou mudam a sua atitude, aumentando e melhorando a sua prestação, ou se mantêm a receber (apenas) o seu ordenado base. O que até já será demais...

Distraídos na defesa de privilégios incomportáveis (para todos), os sindicatos esquecem o que é importante: a defesa pelo emprego e por mais emprego.

E assim, por exemplo, na Escola a Tempo Inteiro, muito emprego docente está a ser deitado fora em benefício de monitores, tarefeiros, empresas particulares e professores avulsos (sem colocação na escola e/ou originários de outros níveis de ensino, em complemento de horário).

A solução? Existe.

Em benefício da qualidade da Escola (famílias e alunos) e do emprego e trabalho dos professores. Basta ter, como base das ETI, não uma Escola de Turno Único, que liberta apenas duas horas diárias para as actividades não curriculares e que não dão emprego a ninguém, mas uma Escola de Turno Duplo onde metade das turmas têm actividades curriculares de manhã e a outra metade as têm à tarde. Neste esquema de funcionamento, bastam metade das salas disponíveis para as actividades curriculares, libertando os restantes espaços (que passam a poder ser equipados de forma específica) para as restantes, em turno contrário. Assim, as necessidades de enquadramento (docente, nesta forma de solução) estendem-se pela manhã e pela tarde, tempo suficiente para "criar empregos". Em paralelo, os professores das actividades curriculares, podem cumprir duas horas de componente não lectiva diária em turno contrário, assegurando toda a coordenação e ligações, fazendo "pontes" entre as duas componentes, asseguradas por professores da Escola ...

Mas tudo isto não evita a necessidade de realizar um reordenamento da rede escolar efectivo, concentrando alunos em escolas com, pelo menos, uma turma por ano escolar. Como dizem alguns sindicatos, não há professores a mais. Há é respostas educativas a menos.

Mas, infelizmente, quando se espera que lutem por essas respostas, é um deserto de ideias por parte dos sindicatos.

Em vez de pensar nos seus deveres, têm a cabeça cheia com a defesa dos seus privilégios…

2 comentários:

Gastão Pinto disse...

Gostaria que explicasse melhor as suas afirmações.

Anónimo disse...

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